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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Brincando de ser adulto

"Faz de conta que eu sou um... professor!", diz uma criança, já com pose de quem vai escrever as lições na lousa, pronta para "ensinar" quem estiver ao redor. Quem nunca viu uma menina brincando de “comidinha”, de escritório, fingindo ser mãe, meninos brincando de pilotos de avião e elas, aeromoças, e tantas outras brincadeiras mais, que imitam o universo de gente grande? Pois é, acontece o tempo todo, já que as crianças fazem em suas cabecinhas uma projeção do mundo adulto e esperam, ansiosas, o dia de elas estarem lá, esplendorosas, na vida adulta. Doces inocentes, mal sabem que ser criança é que é mesmo coisa boa!
As crianças mostram como compreendem o mundo e as ações humanas do cotidiano por meio dessas brincadeiras, em que imitam gente grande e, geralmente, copiar desse jeitinho positivo as pessoas que mais fazem parte de sua convivência. É o que explica a psicóloga infantil Paula Carvalho:
- Esse comportamento ocorre porque os pequenos aprendem a brincar, interagir e a se relacionar com os outros por modelos. E esses são os pais, professores, pediatras e pessoas que veem na televisão, por exemplo. Como eles geralmente exercem alguma atividade profissional, as crianças acabam imitando esse lado, que, aliás, é uma característica bem marcante na diferença de crianças e adultos, ou seja, o trabalho.
Mas atenção, papais! Como as crianças veem os adultos como modelos, é bom prestar muita atenção na maneira como brincam de imitar, para que não haja excessos. Exemplo disso é a menina que insiste em imitar alguma modelo famosa, com tudo o que tem direito:
- Esse “faz de conta” faz bem e é normal desde que não saia dos limites da brincadeira e sempre seja supervisionado pelos pais. Hoje em dia, algumas mães não conseguem limitar as brincadeiras das filhas e permitem exageros, deixando com que usem maquiagens, esmalte e salto alto. Com isso, elas acabam sendo ‘adultas’ ainda muito pequenas, pulando fases e sem preparo para isso – opina a psicóloga.
Para os pais que já estão com dor de cabeça só de pensar em como irão supervisionar as tais brincadeiras, já que passam o dia inteiro trabalhando em suas profissões de verdade, que tal experimentar uma participação especial sendo “alunos” de uma escolinha ou convidados especiais de um “jantar” feito pelos filhos nas várias panelinhas coloridas de plástico? Com isso, podem conduzir a brincadeira de forma mais saudável, além terem uma ótima oportunidade para estreitar o vínculo afetivo com os filhos, fundamental para a construção de seres humanos melhores. Então, papais, faz de conta que vocês são...

Fonte: Paula Pessoa Carvalho
Psicóloga com formação em terapia analítico comportamental infantil
Tel.: (11) 8526-2622
www.estimuloconsultoria.com.br

Créditos da Imagem: Photostock