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segunda-feira, 11 de março de 2013

Financeiramente (muito) bem educados

Qual o significado que o seu filho atribui ao dinheiro? Educar financeiramente uma criança é um dos grandes desafios enfrentados pelos pais e escolas, especialmente por conta da exposição cada vez maior ao consumismo, que leva muitas famílias a enxergar o dinheiro ou o poder de compra como uma válvula de escape para suprir lacunas em outros aspectos da vida. A questão é que a forma como os pais lidam com os recursos financeiros pode influenciar o modo como os filhos irão administrar os próprios bens no futuro.



De acordo com o educador financeiro e autor de publicações na área, Reinaldo Domingos, um dos caminhos para as famílias e escolas educarem financeiramente as crianças é ter como base os pilares da Metodologia DSOP de Educação Financeira – Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar:

- Essa metodologia estimula crianças e jovens a identificar os sonhos de curto, médio e longo prazos; ensina a investigar quanto custa os sonhos e, junto com os pais (que devem saber a equação entre orçamento e gastos) calcular quanto seria necessário reservar por semana, mês ou ano (seja da semanada, mesada ou orçamento familiar) para que esses sonhos possam ser realizados. Dessa forma, os pais mostram aos filhos o caminho mais curto para a independência financeira.

Mas, como os pais podem fazer isso na prática? O educador financeiro dá algumas dicas:

• Se o seu filho gastar além da conta, não ceda aos pedidos dele por mais dinheiro. Você precisa ensiná-lo a controlar os impulsos, sabendo que ele não pode gastar sem limites;

• Envolva as crianças nas decisões familiares sobre os gastos, colocando os sonhos em primeiro lugar. Isso mostra que é preciso ter objetivos, fazer escolhas, usando o dinheiro com foco e sabedoria;

• Explique, por meio de conversas, jogos e brincadeiras, que nem tudo o que ele quer ou assiste na TV é para se comprar. Reserve as datas especiais para dar um brinquedo. Isso evitará que a criança queira tudo o tempo todo;

• Defina qual é a finalidade da mesada, ou seja, o limite de dinheiro que a criança irá administrar e se o prazo em que receberá o dinheiro será semanal ou mensalmente;

• A evolução do valor da mesada deve ser gradativa, sempre acompanhada de conversas que mostram a importância desse dinheiro e por que ele deve ser utilizado com responsabilidade. Explique que poupar faz parte da realização de pequenos sonhos, como o de guardar dinheiro para comprar uma bicicleta;

• Eduque os jovens a criar planilhas para anotar, durante o mês, no que vão gastar o dinheiro. Isso fará com que analisem melhor e evitem gastos desnecessários e, até mesmo, eliminem excessos. Os mais novos devem ser incentivados a colocarem as sobras em cofrinhos, um ótimo incentivo para poupar;

• Não associe a mesada ao desempenho escolar da criança, pois o estudo deve ser estimulado pela importância que ele terá para a vida. Além disso, uma criança que só estuda para garantir a mesada no fim do mês poderá ter um rendimento muito baixo se, por algum motivo, a família deixar de ter condições de dá-la.