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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Dá chupeta!

É quase impossível pensar em um bebê e não imaginá-lo com uma chupeta. Ao mesmo tempo em que a imagem pode ser fofa, também causa muitas dúvidas aos pais. Mas, será que esse objeto tão presente na infância faz mal? Qual a melhor hora para retirá-lo da criança? Se é que há uma hora para introduzi-lo na vida dos pequenos.

O mais importante, em um primeiro momento, é entender a relação da criança com a chupeta. Os bebês com até três meses de idade têm na sucção uma necessidade fisiológica. A psicóloga e psicanalista do berçário Primetime Child Development, Christine Bruder, explica que ao entender isso, não há nada de mal em satisfazê-la por meio da chupeta: “Por ser uma necessidade básica, não há o risco de o bebê criar um hábito/vício pela chupeta. Ao contrário. Ao se acostumar a ter suas necessidades atendidas, ele cresce seguro e confiante e, com o passar do tempo, tende a não mais precisar da chupeta e deixa de usá-la”, explica.

Mas, se o tempo for passando e a criança não largar a chupeta naturalmente? Aí, é hora de iniciar o processo de separação entre ela e o objeto. De acordo com Christine, alguns truques – como acordos ou barganhas - utilizados pelos pais não é a melhor saída: “Uma criança menor de três anos, apesar de, em muitos casos, entender o significado de um acordo, não tem maturidade necessária para mantê-lo ou arcar com as consequências de ter dado sua palavra”, explica a psicóloga.

Fingir que vai entregar a chupeta ao Papai Noel, Coelhinho da Páscoa ou qualquer ser mágico também não é indicado, uma vez que, por volta dos três anos, a criança começa a exploração do mundo da fantasia e a diferenciação entre ela e a realidade. A transposição deliberada desta fronteira gera dissonâncias cognitivas e ansiedade.

Para não correr o risco de gerar traumas, leia com atenção as dicas para fazer essa separação de forma tranquila:

• Dialogue com seu filho: é sempre importante explicar o porquê de certas ações às crianças. Neste caso, fale por que o pediatra ou ortodontista recomendou que ele deixasse de usar a chupeta. Deixe claro que você sabe a importância do objeto e que, no início, ele poderá usá-la para dormir, até se acostumar. Ofereça muito colo e carinho durante o dia, pois a criança precisa encontrar outras formas de consolo.

• Substitua: quando seu filho já estiver passando o dia todo sem a chupeta e sem pedir por ela, retire-a também à noite. Aí vale oferecer um bichinho de pelúcia, por exemplo, para que faça companhia à criança. Mas só na hora de dormir, ok? Além disso, é importante que esse novo objeto seja apresentado pelos pais, e não escolhido pelo filho, para não se caracterizar como acordo ou barganha e ofereça abertura para que ele queira voltar atrás.

Aprender a viver sem a chupeta pode se mostrar uma excelente fonte de desenvolvimento para os pequenos. Eles exercitam a capacidade de adaptação e independência, tão importantes para todas as situações de mudanças que ainda aparecerão em seus caminhos.